A todo o momento fazemos referência a algum sistema de contagem do tempo sem nos darmos conta das dificuldades que surgiram para sua padronização e sua adequação com os fenômenos sazonais.
Mas qual teria sido a origem da designação dos nossos dias, como os conhecemos hoje?
Muitas perguntas surgem. Por que o ano tem 12 meses e a semana sete dias? Porque o ano começa em 1º de janeiro? Porque alguns anos são bissextos e outros não? Porque os meses e os dias da semana têm esses nomes?
Confira sobre a origem de nosso calendário e reflita, se a relação de um sistema consumista que se resume em TEMPO é DINHEIRO imposta pela sociedade capitalista, não teria sido de certa forma atribuída maliciosamente desde tempos remotos por nossos ancestrais para manipulação do povo?
Os Primeiros Calendários Romanos
Calendário de Rômulo
Este calendário, criado por Rômulo (753-717 a.C.), tinha 304 dias divididos
em dez meses, cada mês variando entre 16 e 36 dias.
Os nomes dos meses foram provavelmente o único legado deste calendário:
Calendário de Numa Pompilho
Na época do imperador Numa Pompilo (717-673 a.C.), sucessor de Rômulo, foram feitas algumas modificações no calendário. Os romanos daquela época eram extremamente supersticiosos e consideravam números pares como fatídicos. Então aboliram os meses de 30 dias, que passaram a ter 31 ou 29 dias. Além disso, aumentou-se para 12 o número de meses, sendo introduzidos Januarius (29 dias) ,em homenagem a Jano, deus com duas caras, e februarius (28 dias), deus dos infernos e das purificações. Esses meses eram, respectivamente, o décimo primeiro e o décimo segundo do ano, permanecendo o início em Martius.
A intercalação dos meses e o controle dos números de dias eram atributos dos pontífices. É importante notar que estes acabaram tendo em suas mãos o poder sobre a época da investidura dos cônsules. Assim os responsáveis pela observância das regras da intercalação adiavam ou antecipavam a introdução do mês Mercedonius, primeiramente pela conveniência de prolongarem as magistraturas ou para favorecimento de amigos. Deste modo acabaram perdendo o controle sobre o calendário, e em pouco tempo o caos havia se formado.
Calendário Juliano
Dentre as diversas modificações executadas neste calendário destacamos:
•O ano se iniciaria em Januarius, e não mais em Martius. Para isso ele fez
com que calendas januaris (1 de janeiro) coincidisse com a primeira Lua nova depois do solstício de inverno.
•O ano teria 365 dias, sendo que de quatro em quatro anos haveria um dia
excedente em Februarius: o bis VI antediem calendas martii, onde antes se
intercalava o Mercedonius.
• Júlio César, após ser assassinado em 44 a.C., foi homenageado e, para isso,
lhe foi reservado o mês Julius,antigo Quintilis.
Graças a essas contribuições, o imperador foi homenageado com seu nome no lugar de Sextilis, mês em que nasceu, que passou a ter 31 dias, o mesmo número de Julius, visto que sendo imperador, como Júlio César, ambos deveriam merecer
a mesma homenagem. Com o aumento no número de dias de Augustus, o prejudicado foi o Mês de Februarius, que passou a ter 28 ou 29 dias.
Calendas, Nonas e Idos
Na Roma antiga os meses eram divididos em três partes, denominadas: calendas, nonas e idos. Estas eram ainda contadas de trás para frente, e assim 2 de janeiro era antediem IV nonas januarii; 10 de março era antediem VI idus martii; e o primeiro dia do mês era simplesmente Kalenae, daí o nome calendário.
Calendário Gregoriano ( Calendário Atual)
Mesmo após a reforma juliana, havia algumas incorreções que só se tornaram apreciáveis depois de muitos séculos.
Foi somente em 1582 que o papa Gregório XIII (1512 –1586) efetuou a reforma no calendário, quando já havia um atraso de 10 dias da data do equinócio (estava ocorrendo em 11 de março, ao invés de 21 de março).
As principais modificações introduzidas com a reforma gregoriana foram as seguintes:
• Ausência de anos bissextos durante três anos em cada período de 400 anos. O primeiro destes ciclos começou em 1600, que foi bissexto, mas 1700, 1800 e 1900 não foram bissextos, já 2000 será. Desse modo, após três anos seculares comuns, haverá um bissexto. Assim só serão bissextos os anos seculares divisíveis por 400. No calendário juliano, todos os anos seculares eram bissextos.
• Contagem dos dias através da designação dos números cardinais 1, 2, 3, ... pela ordem e seguidamente (e não mais por calendas, nonas e idos).
A reforma gregoriana não foi aceita de imediato. Vários povos se opuseram a ela, principalmente os não católicos.
Os católicos, como Portugal e Espanha, aceitaram de imediato, em outubro de 1582; a França, em dezembro de 1582; já a Alemanha e a Áustria, em 1584; Hungria, em 1587; Inglaterra, em 1752; Suécia, em 1753 e a Rússia, em 1923. Esta última teve que eliminar 13 dias do seu calendário.